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Auguste Rodin

No século XIX, entre o declínio do romantismo e o nascimento da arte moderna, surgiu um artista que foi considerado "o maior escultor desde Michelangelo". Segundo suas próprias palavras, sua obra era "uma ponte unindo o presente e o passado".


Fonte da imagem: Wikipedia/Tucker Collection - New York Public Library Archives


De fato, Auguste Rodin sintetizou em seu trabalho as principais tendências presentes na arte do século passado: o romantismo, o realismo e o impressionismo.


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As três grandes escolas


Os pintores românticos, destacam-se entre eles Millet e Rossetti, repudiavam as tendências artificiais e decorativas que surgiram com Rafael, sustentando que a arte deveria estar diretamente relacionada com a avida, atendendo às necessidades dos homens e portando uma mensagem intelectual. Acreditavam que os melhores modelos para seu trabalho estavam nas obras anteriores a Rafael, ou seja, na arte medieval e na arte do início do Renascimento. esta era a tendência dominante na pintura do século XIX.


A seu lado desenvolvia-se a escola realista, que se rebelava contra as tradições clássicas e repudiava os embelezamentos sentimentais da escola romântica. Pintores como Gustave Courbet e Honoré Daumier, por exemplo, preocupavam-se em retratar a vida tal qual ela é, fazendo-o frequentemente, de modo grosseiro e satírico, apresentando seus temas cruamente.


A porta do inferno. Fonte da imagem: Wikipedia


Mas o primeiro movimento inteiramente original da pintura do século XIX foi o impressionismo, fundando na França em torno de 1870, por Edouard Manet. Os pintores ligados a essa escola, como Claude Monet e Auguste Renoir, procuravam, em suas obras, transmitir as impressões imediatas provocadas em seus sentidos pelas cenas do meio ambiente. Usavam as cores primárias em pequenas pinceladas e muitas vezes, deformavam as figuras, representando-as por alguns detalhes significativos.


Rodin conseguiu reunir em sua obra todas estas tendências: era, acima de tudo, um realista, mas seus trabalhos refletem nitidamente a influência do romantismo e do impressionismo.


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Uma obra original


François Auguste René Rodin viveu de 1840 a 1917. Filho de operários parisienses, enfrentou grandes dificuldades financeiras para desenvolver seus estudos e seu trabalho. Durante muitos anos, suas esculturas escandalizaram o público e foram sistematicamente recusadas pelos salões de arte. Foi somente a partir de 1880 que sua obra passou a ser reconhecida. Rodin, então com 40 anos, tornou-se um dos mais admirados artistas da época.


Ao contrário de seus contemporâneos cujas esculturas, grandiosas, pesadas e decorativas, reproduziam o estilo rebuscado do barroco, Rodin criou uma obra verdadeiramente original. A análise psicológica, a a origem animal do homem e sua luta contra as forças da natureza constituíam seus interesses principais. em uma das suas obras mais impressionantes, A porta do inferno, encomendada pelo Museu de Artes Decorativas, Rodin inspirou-se na Divina Comédia de Dante e representou a tragédia da grande massa humana acorrentada a suas paixões. O Pensador, obra criada em 1880, é provavelmente a mais conhecida de suas esculturas.


O Pensador. Fonte da imagem: Wikipedia


A obra de Rodin reflete uma grande vitalidade, seja na alegria ou no drama das personagens representadas. Preocupado com a significação e a força de cada gesto, conseguiu que cada fragmento de uma estátua se tornasse expressivo.


Sua obra é considerada um dos maiores momentos da escultura universal. O prestígio artístico de Rodin tornou-se tão grande ainda em vida que, em 1900, a Feira de Paris dedicou-lhe especialmente um salão, no qual foram apresentadas 168 de suas obras.

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