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Platão

Platão filósofo e matemático


 https://geniosdaciencia.bioorbis.org/2019/03/platao.html
Platão. Fonte da imagem: InfoEscola

Nome: Platão 

Nascimento: 428/427 a.C. 
Local: Atenas, Grécia Antiga 

Morte: 348/347 a.C. 
Local: Atenas 

Influências: Sócrates, Homero, Hesíodo, Aristóteles, Protágoras de Abdera, Parmênides, Pitágoras, Heráclito, Orfismo Influenciados: A maioria dos filósofos ocidentais 

Escola/tradição: Platonismo 

Área: Filosofia, Literatura, Política 

Platão foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental.

PLATÃO: O FILÓSOFO DO MUNDO IDEAL


Platão pertencia a uma das mais nobres famílias de Atenas, onde nasceu em 428 ou 427 a.C. Seu nome verdadeiro era Arístocles, mas recebeu a alcunha de Platão devido talvez à sua constituição física: plato, em grego, significa "de ombros largos". Como todos os aristocratas de suas época, recebeu uma educação especial: leitura e escrita, ginástica e música, pintura e poesia. Excelente atleta, participou dos Jogos Olímpicos como lutador. Mas, por tradição de família, Platão desejava dedicar-se à vida pública. E tudo indica que poderia fazer uma brilhante carreira política: ele mesmo falava desse projeto em ma de suas muitas cartas.

Muito cedo, porém, Platão tornou-se devotado discípulo de Sócrates, aprendendo e discutindo com esse filósofo os problemas do conhecimento do mundo e das virtudes humanas. Quando Sócrates foi condenado à morte sob a acusação de "perverter a juventude", Platão desiludiu-se da política e resolveu voltar-se inteiramente para a filosofia. A fim de eternizar os ensinamentos do mestre, que não havia redigido nenhuma livro, escreveu vários diálogos onde a figura principal é Sócrates. Com isso, tornou conhecidos seus pensamento e seu método. Esse amor à sabedoria, que levou Sócrates a aceitar a morte e Platão a desistir da política, não é outra coisa senão a Filosofia. Esta palavra parece ter sido usada pela primeira vez por Pitágoras, filósofo e matemático grego que viveu de 570 a 496 antes de Cristo.



Consta que Pitágoras explicava o uso do termo dizendo: "Ninguém é sábio a não ser a divindade; porém, é permitido ao homem amar a sabedoria, isto é: ser "filósofo" (do grego philein = amar e sophia = sabedoria). De qualquer modo, a Filosofia, como busca de um conhecimento que se distingue do mito, da religião e da ciência, surgiu com os gregos antigos. E, para explicar o seu pensamento filosófico, Platão escreveu em forma de diálogo no livro VII da "República", uma história famosa: o mito da caverna.


As sombras da caverna


Platão imagina alguns homens que dese a infância se encontram aprisionados em uma caverna, com uma pequena abertura por onde penetra a luz exterior. No interior da caverna, os homens não conseguem mover-se para trás e só podem olhar para a parede do fundo. Lá fora, às costas dos cativos, brilha e resplendor de um fogo aceso sobre uma colina e entre ela e os presos há um caminho por onde passam outros homens carregando pequenas estátuas. As sombras desses passantes são projetadas no fundo da caverna e vistas pelos prisioneiros que atribuem as vozes que ouvem às próprias sombras: para eles é a única realidade. Entretanto, um dos cativos consegue evadir-se  da caverna e alcançar o mundo luminoso. O sol deslumbra-o dolorosamente e quase cega.



Pouco a pouco, tenta habituar-se: primeiro, consegue ver as sombras; em seguida, as imagens das coisas refletidas nas águas;  e, por fim, as cosias mesmas. Vê o céu e a noite, as estrelas e a lua. E, ao amanhecer, a imagem refletida do Sol. Por último, depois de um grande esforço, pode contemplar o Sol mesmo. Então, sente que o mundo em que tinha vivido antes era irreal e desprezível. Se dissesse aos seus companheiros que aquele mundo era de sombras, e não de coisas reais, certamente ririam dele. Se procurasse salvá-los e trazê-los para o mundo real, do lado de fora da caverna, o matariam.

Figura 2. O mito da caverna. Fonte da imagem: Você MAIS Rico.

Platão explica que a alma, antes de ficar aprisionada ao corpo, habitava o mundo luminoso das Idéias, guardando apenas vagas "lembranças" desta existência anterior. Contudo, essas reminiscências fazem com que a alma esteja sempre voltada para aquele mundo ideal. Mas as sensações do corpo tendem a desviá-la desse caminho, que é o da sabedoria da vida. Por isso, apenas a parte racional (mental) do homem é nobre e boa. A parte das sensações físicas deve ser subordinada a ela. Esta revelação moral, própria da filosofia platônica, termina por dividir toda a realidade existente em duas partes antagônicas: espírito e matéria. O espírito é imortal e durante sua passagem pelo mundo procura  recordar-se daquele universo onde está a suprema verdade e o bem.


O Mundo das Idéias


O que significa a caverna com suas sombras? E o mundo luminoso lá fora? Qual a diferença entre homens no interior da caverna e o fugitivo que consegue enxergar o Sol? Platão usa todas essas imagens para dizer que o mundo que percebemos com nossos sentidos é um mundo ilusório e confuso, mundo de sombras. Mas esta realidade sensível não é todo o universo. Há um reino mais elevado, espiritual, eterno, onde está o que existe verdadeiramente - as Idéias -, que só a razão pode conhecer.



Este é o mundo luminoso, que se encontra fora da caverna e que apenas alguns homens - os filósofos -  chegam a perceber. É preciso pois, ir além dos sentidos para ter acesso ao Mundo das Idéias. Há a ideia de homem, de árvore, de cor, de tamanho, de beleza, de justiça que forma sua essência eterna. Apesar de se manifestarem sob várias formas, as Idéias são gerais e permanentes. E a mais elevada delas é a Idéia do Bem, causa e finalidade do universo.


O sonho da sociedade ideal


Aplicando sua filosofia, Platão imaginou na "República" uma sociedade ideal dividida em três classes, levando em conta a capacidade intelectual de cada indivíduo: a primeira camada, mais presa às necessidades do corpo, seria encarregada da produção e distribuição de gêneros para toda a comunidade: labradores, artífices e comerciantes. A segunda classe, mais empreendedora, se dedicaria à defesa: os soldados. A classe superior, mais capacitada para servir-se de razão, seria a dos intelectuais, que possuiriam também o poder político: assim, evidentemente, os reis teriam de ser escolhidos entre os filósofos.


Da Academia à escola neoplatônica


Platão, desde a morte de Sócrates, opôs-se com empenho à democracia ateniense, o que o levou a abandoar sua terra. Viajou para Megara, onde estudou Geometria com Euclides, notável matemático da época. Depois, esteve em vários outros lugares: no Egito aplicou-se à Astronomia; em Cyrene (Norte da África) aperfeiçoou-se nas matemáticas; em Crotona ( Sul da atual Itália) esteve com os discípulos de Pitágoras. Esses estudos deram-lhe a formação intelectual necessária para formular as próprias teorias, aprofundando os ensinamentos de Sócrates.

Figura 3. Provavelmente o homem sob a árvore - rodeado de seus discípulos, nos jardins da Academia; mosaico encontrado em uma "villa" romana perto de Pompéia (Nápoles, Museu Nacional). Fonte da imagem: Wikipedia

De todas essas viagens, a mais famosa foi a estada em Siracusa, na Sicília (então pertencente a Magna Grécia) onde procurou por várias vezes criar a sociedade ideal que havia imaginado e descrito na "República". As tentativas falharam e em todas as vezes foi obrigado a abandoar a cidade, ameaçado por adversários políticos. Certa ocasião chegou até a ser vendido como escravo, só recuperando a liberdade graças à intervenção de um amigo que pagou o resgate.



Quando voltou para Atenas, por volta de 387 a.C., Platão fundou sua escola filosófica, nos jardins construídos pelo herói Academus. Daí sua escola ter ficado conhecida com Academia (Figura 3).

Em sua escola, Platão reunia-se com seus discípulos para estudar Filosofia e Ciências. No campo científico, dedicava-se especialmente a Matemática e Geometria. Mas o que o filósofo procurava transmitir era principalmente uma profunda fé na razão e na virtude, adotando o lema de Sócrates: "o sábio é o virtuoso". Esta foi mesmo a preocupação máxima dos seus últimos anos, quando escreveu suas obras mais notáveis. E tal foi a influência de Platão, que a Academia subsistiu, mesmo após sua morte, aos 80 anos de idade. Quando, em 529 d.C., o imperador romano Justiniano mandou fechar a Academia, juntamente com outras escolas não-cristãs, a doutrina platônica já tinha sido amplamente difundida.

Dentre os discípulos de Platão, o que mais se destacou foi Aristóteles. Com 17 anos começou a frequentar a Academia (Figura 4), mas acabou por formular seu próprio sistema, trazendo o Mundo das Idéias para a terra. Mesmo opondo-se a Platão, Aristóteles demonstra em suas obras o quanto sofreu sua influência. E, como ele, muitos outros filósofos se baseiam no pensamento platônico, desenvolvendo-o ou discordando dele. Das obras de Platão, cerca de trinta chegaram até nossos dias, algumas de autoria ainda discurtida. As mais célebres foram escritas sob a forma de diálogo: "República", "Protágoras", "Apologia", "Fedro", "Timon", "Banquete". Estava empenhado em um grande tratado - "As Leis" -  quando morreu, no ano de 347 antes de Cristo.


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Figura 4. Academia. Platão e Aristóteles ao fundo no meio. Fonte da imagem: hackernoon.

A corrente filosófica conhecida como platonismo - originada do pensamento de Platão -  é também uma atitude diante do mundo: a contemplação da realidade, que sob formas diversas aprece constantemente na história do pensamento. Não foi apenas a Filosofia que sofreu a influência desse tipo de procedimento: também a ciência, a religião e as artes foram marcadas por esta doutrina, que teve grande florescimento com Plotino, no século III d.C., em Roma. Mais tarde, o sistema filosófico de Platão foi ligado ao pensamento cristão, por Santo Agostinho (século IV), que dizia: "No interior do homem - na alma - está a verdade." No século passado surgiu a escola neoplatônica, existente até os dias de hoje.

Referência
PARANÁ, Djalma Nunes da Silva. Física Mecânica. Editora Ática. 1999.

Para finalizar veja um vídeo do canal Brasil Escola - Enem 2019, sobre Platão - Brasil Escola:


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