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A invenção do microscópio: de Galileu a Robert Hooke

A história da criação do microscópio começa com Galileu Galilei, e passa por alguns outros inventores gênios da ciência.


Imagem de fernando zhiminaicela por Pixabay


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Escrevendo a um amigo no ano de 1610, Galileu Galilei informava: "A pulga é horrorosa, mas o mosquito e a traça são belos." Mais adiante, esclarecia que chegara a essa surpreendente conclusão através de um engenho óptico de sua fabricação, ao qual dava o nome de microscópio.


Figura 2. Roger Bacon. Fonte da imagem: openpharma.blog


O cientista italiano foi um dos primeiros a construir um aparelho razoavelmente prático para a ampliação de imagens, mas, antes dele, muitos outros já haviam tido essa preocupação. Em meados do século XIII, o inglês Roger Bacon (Figura 2) idealizara um meio de facilitar a leitura, usando um segmento de esfera de vidro que, colocado sobre uma página escrita, aumentava o tamanho dos caracteres. Ao que parece, entretanto, o método de leitura de Bacon era inútil pois, nesse época, os livros eram escritos manualmente, em letras grandes. Assim, o inventor abandonou essa ideia e passou a tratar de outros problemas.


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Janssen, microscópio ruim, ideias boas


Por volta de 1483 a ampliação de imagens progredira muito e já estava bem divulgada. Tão grande era a demanda de óculos, que em Nuremberg, na Alemanha, uma indústria especializada já os produzia em escala relativamente grande.


Figura 3. Zacharias Janssen. Fonte da imagem: Wikipedia/Portrait of Sacharias Jansen


O microscópio, entretanto, só surgiu no século XVI. E, segundo o próprio Galileu, quem construiu o primeiro modelo foi um holandês chamado Zacharias Janssen (Figura 3), que mantinha com seu filho Hans uma pequena oficina de polimento de lentes na cidade de Delft. Mas, a despeito de tentarem construir um microscópio composto, pai e filho não conseguiram bons resultados na ampliação de imagens. Foi quando Galileu se deu conta que, embora o aparelho não funcionasse devidamente, a ideia merecia novas tentativas. E lançou-se a elas, construindo um instrumento semelhante ao do holandês, mas dispondo nele as lentes de maneira parecida àquela que adotara em sua luneta astronômica. O aperfeiçoamento não chegou a resolver todos os problemas do microscópio, mas permitiu ao seu construtor realizar os estudos que resultaram naquela sua opinião sobre a estética de mosquitos e traças.


Depois de Galileu, muitos outros cientistas se interessaram se interessaram pelo problema e construíram protótipos de microscópio. Os princípios adotados variavam; contudo, os resultados eram mais ou menos homogêneos: os aparelhos ampliavam imagens, mais muito pouco. Ou, pelo contrário, produziam imagens muito ampliadas, mas indistintas.


Figura 4. René Descartes. Fonte da imagem: Wikipedia/Após Frans Hals - André Hatala [e.a.] (1997) De eeuw van Rembrandt, Bruxelles: Crédit communal de Belgique, ISBN 2-908388-32-4.


Dentre os microscópios construídos durante esse período, o do filósofo francês Descartes (Figura 4), foi o mais famoso. Utilizava uma lente hiperbólica e funcionava com certa eficiência. Mas tinha o defeito de ser demais complicado.


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Com vidro líquido, lentes melhores


A infância do microscópio transcorreu numa época de tecnologia precária, durante a qual não havia ainda equipamentos bastante aperfeiçoados para esmerilhar e polir. Por causa disso, era difícil encontrar lentes satisfatórias, que permitissem uma visão clara de imagens ampliadas. E a maior parte dos microscópios era prejudicada por vidros de aumento deficientes, conseguidos através do polimento de blocos de vidro sólido.


Figura 5. Robert Hooke. Fonte da imagem: Wikipedia/Mary Beale (1633-1699)


Em 1665, entretanto, o cientista inglês Robert Hooke (Figura 5) descobriu uma nova forma de fabricar lentes: em vez de esmerilhar vidro sólido, passou a moldar vidro líquido. E, com os glóbulos de vidro moldados, obteve lentes muito melhores do que os vidros de aumento usados até então.


Essa inovação lhe permitiu montar um microscópio bastante eficiente, graças ao qual realizou várias descobertas importantes, uma das quais foi observar, pela primeira vez na história, as células de uma lâmina de cortiça.


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Simples e compostos: novos microscópios


Enquanto Hooke, consumia rolhas nas pesquisas que fazia na Inglaterra, na Holanda um fabricante de lentes chamado Anton Leeuwenhoek (Figura 6) construía um microscópio que era um modelo de funcionalidade. Utilizava uma só lente, mas dispunha de uma série de acessórios.


Figura 6. Anton van Leeuwenhoek. Fonte da imagem: Wikipedia/Jan, I Verkolje - www.rijksmuseum.nl : Home : Info : Pic


Até essa época, os microscópios haviam sido instrumentos rígidos, de manejo problemático. Mas Leeuwenhoek eliminou no seu esses defeitos, dotando-o de um suporte móvel e de uma superfície giratória, a platina, os quais vieram tornar muito mais fácil o exame dos objetos. Além disso, Leeuwenhoek desenvolveu um sistema de polimento que lhe fornecia lentes de grande precisão, as quais ampliavam as imagens sem diminuir a sua nitidez. Prova disso é que Leeuwenhoek , em suas pesquisas, conseguiu identificar os glóbulos vermelhos do sangue, as fibras musculares e as bactérias. Pelo fato de usar uma só lente, o microscópio de Leeuwenhoek, hoje conhecido como lupa, é considerado um microscópio simples.


O aparelho inventado por Hooke era mais complicado. Aproveitando a concepção original dos Janssen, o cientista inglês criou um aparelho que consistia num jogo de tubos corrediços e inclinados, com lentes convexas em cada ponta e uma capacidade de aumento de 30 a 40 vezes o tamanho do objeto examinado.


Hoje em dia, os microscópios construídos segundo o modelo de Hooke, nos quais uma lente amplia a imagem captada por outra, são chamados microscópios compostos.

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