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Hobbes: a razão acima de tudo

"Se o principio de que a soma dos ângulos de um triângulo é igual a dois ângulos retos fosse contrário ao interesse dos proprietários, ter-se-ia tentado anulá-lo, queimando os livros de geometria."


Fonte da imagem: Wikipedia/Томас Хобс




Thomas Hobbes falava assim para os que sobreponham a paixão ao conhecimento. O ser humano, enquanto satisfeito, viveria em paz, não por amor à própria paz, mas por interesse egoísta. Esse é o princípio de sua obra mais famosa, Leviatã, um tratado político que lhe valeu algumas perseguições e muitos discípulos.

Depois do Poder


Duas capitais serviam de ponto estratégico para o domínio espanhol sobre a Europa: Madri e Viena. Era um império, representado pela Casa de Habsburgo, que se estendia do Sul dos Países Baixos à Lorena e aos desfiladeiros o baixo Reino.

Sob a inspiração do Rei Felipe II (1527-1598), o catolicismo era a grande força daquele tempo, mas lutava contra a Reforma, que iria provocar a ruptura do poder universal ditado pela Espanha, e a ascensão da Inglaterra.

Para garantir seu domínio, a Espanha mantinha fabulosa armada, pronta para defendê-la de possíveis investidas rebeldes e para avançar sempre sobre mares não conquistados.

Em 1588 a Invencível Armada tentara suprimir no nascedouro o recente e já ameaçador poderio marítimo da Inglaterra. Forçada a entrar no canal da Mancha, foi destruída pelos ingleses e pelas tempestades. Hobbes, um dos seus analistas, autor de obras que abrangem conceitos e psicologia, política, física e matemática.

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Contam os biógrafos que Hobbes nasceu prematuramente. Sua mãe estaria sob tensão, provocada pelo terror da guerra entre Espanha e Inglaterra. Alguns intérpretes chegam a ver nesse primeiro e sofrido acontecimento da vida do filósofo um fator a marcá-lo para sempre. Assim, além dos motivos sociais e políticos, razões psicológicas poderiam talvez ter também contribuído para que suas obras refletissem o conflito entre a soberania do Estado e a desconfiança dos súditos.

Hobbes nasceu em Wstport, Inglaterra. Seu pai era um vigário inculto e violento. Certa vez, bem na porta de sua igreja, teve uma briga com o vigário vizinho. Depois dessa alteração, Hobbes passou a ser educado por um tio. Estudou os clássicos e, com catorze anos, traduziu Medéia, escrita por Eurípides, para versos latinos. Aos quinze, foi ara a Universidade de Oxford, onde aprendeu lógica escolástica e filosofia, principalmente a do grego Aristóteles.

Em seu tempo, era comum os homens de cultura servirem de preceptores aos nobres. Hobbes foi tutor de Lorde Hardwick (depois segundo Conde de Devonshire), com quem fez longa viagem. Tinha então apenas vinte anos.

Justamente nessa época, começou a estudar as obras de Galileu e de Kepler, dois sábios que em sua época abalaram a visão que se tinha do Universo. Depois da morte do conde, Thomas Hobbes se fixou em Paris.

Estudou a obra de Euclides, foi também à Itália e visitou Galileu, que teve influência decisiva em sua formação. Voltou a Inglaterra em 1637.

Na rivalidade entre "cavaleiros" (partidários do rei) e "cabeças-redondas" (parlamentares puritanos e presbiterianos), Hobbes, estava francamente a favor do poder real. Assim, quando o Arcebispo Laud e o Conde de Strafford, principais auxiliares do rei, foram levados à torre acusados de conspiração, Hobbes retirou-se para a França.

Seu tempo em Paris foi de intensa atividade intelectual. Refutou Descartes, ensinou matemática ao futuro Carlos II (filho de Carlos I), da Inglaterra, que também se achava ano exílio. Finalmente, lançou o Leviatã (1651), com que desgostou a Igreja Católica e o Governo francês. Sob pressão de ambos foi obrigado a deixar o pais. Voltou a Londres e se declarou submisso ao ministro inglês Cromwell.

Durante os últimos anos de sua vida, Hobbes ocupa-se da tradução da Ilíada e da Odisséia em versos latinos. E escreve também sua autobiografia na mesma métrica. Em 1679, com 91 anos, pretende acompanhar o sucessor do segundo Conde de Devonshire; mas não consegue iniciar a viagem e falece, em Hardwick.

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Política, sempre


Seguindo a linha de pensamentos inaugurada na Inglaterra por Francis Bacon, Hobbes afirmava que todo conhecimento provinha dos sentidos. Era, portanto, empirista. Mas, ao mesmo tempo, mostrava o valor da razão, que permitia que as experiências sensíveis fossem organizadas para atender às necessidades humana. Aplicando tais ideias à análise da vida social, formulou uma teoria política, de defesa do Estado absoluto, exposta, sobretudo, na obra Leviatã (nome do monstro que, segundo o livro de Jó, na Bíblia, governava o caos primitivo). Argumentava Hobbes: os homens, originariamente, estariam movidos por interesses exclusivamente individuais; esse "estado natural" da humanidade seria de permanente guerra de cada um contra os demais, o homem era "o lobo do homem". Tal estado, porém, impedia a própria sobrevivência, exigindo que os indivíduos entrassem em acordo para permitir a vida da coletividade. Esta, então se transforma em sociedade, politicamente organizada, desde que cada um ceda parte dos seus direitos individuais, transferindo-a para um poder central, todo-poderoso: o Estado. O Estado, resultado de um acordo, seria no fundo um artifício indispensável para contrabalançar os interesses individuais em conflito.

Hobbes expôs as suas ideias ainda em outras obras que, ao lado do Leviatã, influenciariam profundamente o pensamento político, até os dias de hoje: De Cive (1642), De Corpore (1655) e De Homine (1658).

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