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Robert Koch: o descobridor de pequenas bactérias

Heinrich Hermann Robert Koch foi um médico, patologista e bacteriologista alemão. Foi um dos fundadores da microbiologia e um dos principais responsáveis pela atual compreensão da epidemiologia das doenças transmissíveis.


Fonte da imagem: Wikipedia/Desconhecido - http://ihm.nlm.nih.gov/images/B16692


"Então senhor garante que esse caldo de bacilos me mataria se o tomasse?" Quem fazia a pergunta era o velho Professor Pettenkofer, que girava entre os dedos um tubo de ensaio contendo um caldinho amarelado. O Dr. Koch respondeu muito sério: a dose contida no tubo era suficiente para matar de cólera meio batalhão de granadeiros. E então, para o espanto dos membros da Academia Imperial de Medicina, em Berlim, onde a cena se desenrolava, o Professor Pettenkofer tomou um pequeno pão que levava consigo, derramou-lhe por cima o caldo do tubo e comeu.


"Pois lhe garanto, caro Dr. Koch, que vou até engordar com estes inofensivos bacilos", riu Pettenkofer. "Os bacilos não causam doença nenhuma. Pega-se urna doença porque se está predisposto a ela. Os bacilos nada têm a ver com isso."


O fato é que Pettenkofer nunca pegou cólera, nem demonstrou sintoma algum da doença. E, sempre que se encontrava com Koch, arreliava-o de bom humor: "Muito bons seus bacilos, Dr. Koch. Ótimos para o chá das cinco com torradas."


A corajosa (ou inconsciente) demonstração de Pettenkofer convenceu muita gente de que os bacilos não tinham nada a ver com a causa da cólera. Com seu riso irônico e hem-humorado, Pettenkofer ia e vinha entre os médicos, dizendo: "Ora, os bacilos." E sua boa saúde testemunhava por ele. Mas o fato é que ele não tinha razão: Koch fizera uma descoberta funda-mental ná história da medicina. Apenas, corno se demonstraria depois, nem todas as pessoas são sensíveis a qualquer doença, a qualquer hora. Há resistências naturais e adquiridas por imunização, que nos defendem dos microscópicos e onipresentes causadores das moléstias. E Pettenkofer era resistente ao bacilo da cólera.


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Um presente de aniversário


Entre 1860 e 1870, Pasteur foi responsável por uma onda de entusiasmo nas universidades europeias. Os micróbios eram o assunto do momento. Mas o recém-formado Robert Koch estava fora desse mundo científico. Andava a cavalo à noite pelas estradas da Prússia, para atender às mulheres de fazendeiros que davam à luz. Era um mero médico de pra-que, para se casar com Emmy Freatz, pusera de lado a ambição de ter uma vida de aventuras, longe dali. Quando fez 28 anos, sua mulher, economizando sobre as despesas do armazém, presenteou-o com um lindo aparelho um microscópio. Sentia que o ma-rido sacrificara por ela seus sonhos juvenis e que se aborrecia com "o blefe profissional da medicina", como chamava sua clínica. Com esse aparelho, Koch revolucionaria a medicina e tem-ria aventuras bem mais compensadoras do que poderia ter tido no Taiti ou na Amazônia.


1876 o carbúnculo


Quando Koch examinou o sangue enegrecido de animais mortos pelo carbúnculo epidemia que devastava os rebanhos da Europa —, constatou que ali havia uma enormidade de filamentos ou de bastonetes soltos. Então, num laboratório improvisado, infetou ratos com sangue contaminado e neles apareceram os bastonetes. "São seres vivos", imaginou Koch. Tentou várias provas, sem êxito. Um dá, colocou o humor vítreo de um olho de vaca sobre uma lâmina esterilizada e introduziu um fragmento infetado do baço de um rato. Cobriu-a com outra lâmina de vidro côncava, untada de vaselina, virou o conjunto de cabeça para baixo e obteve uma gota pendente, aprisionada em uma bolsa estéril. Conseguira a primeira cultura pura de microrganismos, inovando a técnica bacteriológica. Koch ficou 50 minutos de olho fixo no microscópio, e então os bastonetes começaram a se multiplicar. Estavam vivos!


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A revolução bacteriológica


Durante oito dias, cultivou gerações e gerações sucessivas de bacilos. Depois voltou a inoculá-los nos ratos, e eles morriam de carbúnculo com o sangue negro fervilhando de bastonetes. Antes de qualquer outro, esse médico de roça provara que uma determinada espécie de micróbio causa uma definida espécie de doença. Com 34 anos, ainda desconhecido, Koch embarcou para Breslau. Seu velho mestre Cohn auxiliou-o a fazer demonstrações que duraram três dias. Quando terminou, estava consagrado. 1880: o Governo chamou-o para Berlim e ofereceu-lhe um belo laboratório, Já por essa época todos os médicos da Europa só discutiam bacteriologia. Apareceram mil teorias, uma mais maluca que a outra. Para produzir cultura de micróbios, inventaram-se aparelhos complicadíssimos. Mas a criatividade de Koch venceu a batalha. Junto com a Dr.a Hesse, inventou a cultura sólida de ágar-agar e outros métodos até hoje usados.


A tuberculose e o bacilo


Enquanto seus assistentes procuravam os agentes da difteria e da febre tifóide, Koch dedicava-se à tuberculose. Mas nos tecidos doentes nada aparecia. Com infinita paciência, Koch aplicou-lhes um corante, que fez aparecer em azul bacilos muito pequenos e finíssimos. Conseguiu isolá-los e inoculá-los em animais sadios que contraíram a tuberculose.


Pouco antes, Pasteur afirmara que em breve estaria provada a origem microbiana da moléstia e contra ele levantara-se a classe médica de Paris, liderada pelo Dr. Pidoux, que afirmara: "A tuberculose é única e múltipla ao mesmo tempo. Sua terminação consiste na destruição infetaste e necrobiótica do tecido plasmático de um órgão, processando-se por diversos caminhos que o higienista e o médico devem esforçar-se por dominar." Exemplo de palavrório sem sentido. No dia 24 de março de 1882, Koch anunciava sua descoberta : o bacilo causador da tuberculose.


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1884, A cólera


Em 1883, a cólera asiática bateu às portas da Europa. Procedente da Índia, onde era endêmica, atingiu e devastou Alexandria, no Egito. Koch foi para lã com seus colaboradores, e Pasteur mandou dois assistentes. Um deles, o Dr. Thuillier, morreu durante as pesquisas, atacado da moléstia. Koch, ao depositar flores sobre sua sepultura, disse: "Elas são muito simples, mas são de louros como as que se dão aos bravos." A seguir, foi à Índia estudar o mal mais de perto. E em 1884, tendo vi-vido entre os infelizes coléricos indianos, isolou o germe da cólera, um embrião em forma de vírgula, e demonstrou como era transmitido.


Foi nessa época que Pettenkofer realizou a bravata que o tornou célebre. Mas a história provou que se enganara, apesar de sua coragem. Coragem que não era rara entre os cientistas. Vários deles se auto-inocularam para provar suas hipóteses, e muitos morreram nos anos herói-os da bacteriologia.


Em 1890, Koch pensou ter realizado a mais importante descoberta de sua vi-da: a tuberculina, substância para curar a tuberculose. Seu grande prestígio lhe valeu crédito imediato. Assim, a substância foi fabricada e aplicada com muitas esperanças, pois nesse tempo a tuberculose literalmente devastava a Europa. Mas a tuberculina foi um fracasso como remédio. Serviu apenas para criar um teste hoje conhecido como reação de Mantoux (do nome de seu descobri-dor), que indica a presença da moléstia. Vários bacteriologistas sofreram reveses desse tipo. Além de Koch, Pasteur, Ëmile Roux e Paul Ehrlich tiveram graves contratempos em suas pesquisas. Mas Koch ficou abatidíssimo. Ele ansiava por criar um método eficiente para combater os micróbios. Fora seu sonho desde os tempos de médico de roça, em que via as pessoas morrerem de difteria e percebia quanto a medicina era impotente. Os trabalhos de Koch, no entanto, permitiram que outros cientistas, basca os em seus métodos, atinassem com maneiras eficientes de combater os bacilos que descobrira.


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Os últimos anos


Koch , depois que se tornou uma celebridade, não teve mais..tempo para si. De todas as partes do mundo vinham jovens para aprender com ele as técnicas bacteriológicas. conhecidíssima, era solicitado a fazer conferências na América e no Japão. O grande instituto de pesquisas que dirigia tomava-lhe cada minuto. Tentou fugir de tudo indo estudar a moléstia do sono na :África do Sul, mas teve de voltar. Não era mais dono de seu tempo. Além disso, sua mulher acabara aborrecendo-se com um marido que passará 18 horas no laboratório, e pedira divórcio.


Os conservadores berlinenses, para desaprovar essa conduta "irregular", retiraram a placa comemorativa que fora colo-cada diante de sua casa. Mas o cientista reservava-lhes um susto ainda maior: pouco tempo depois casou-se com urna bela jovem, Hedwig Freilberg. E foi ela quem o assistiu na velhice, quem o acompanhou na longa viagem ao Japão onde Koch reviveu seu sonho juvenil de grandes viagens aos países exóticos e quem lhe fechou os olhos, a 27 de maio de 1910 em Baden-Baden.


A curiosidade científica de Robert Koch não arrefeceu até os últimos dias, quando ainda trabalhava energicamente. Se algum admirador o incensava, erguia os olhos do microscópio e dizia: "Nada fiz de especial. Apenas trabalhei com afinco." E voltava à sua tarefa, que a vida é curta e o trabalho é tanto.


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