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Quem foi Charlles Jonh Huffam Dickens? História e vida de um escritor

Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. No início de sua atividade literária também adotou o apelido Boz.


Charles-Dickens
Fonte da imagem: Wikipedia/Autor Jeremiah Gurney


Após ter conhecido um período de glórias, a literatura inglesa, no fim do século XVIII, declinava perigosamente. Mas essa ameaça de estagnação logo seria afastada, graças ã, verdadeira revivescência literária que marcou a "era vitoriana". A esta época, iniciada em 1837, quando sobe ao trono a Rainha Vitória, pertence Charles Dickens, talvez o mais popular e humano dos romancistas ingleses.


Um rapaz ambicioso


Charles John Huffam Dickens nasceu em 1812, em Landport, perto de Portsmouth, no Sul da Inglaterra. Tinha cerca de dois anos de idade quando a família se transferiu, por pouco tempo, para Londres, e, depois, por longo tempo, para Chatham, cuja paisagem permaneceu em seu espírito por toda a vida, como a única lembrança da infância, sua época mais feliz.


Por volta de 1822, John Dickens, o pai, como sempre às voltas com dividas, foi encarcerado na Prisão dos Devedores, em Marshalsea; sua esposa mudou-se com oito filhos dos quais Charles era o segundo para Camden Town, onde abriu uma espécie de "estabelecimento educacional". O menino Charles viu-se então obrigado a deixar a es-cola para trabalhar numa fábrica de tinturas, emprego que manteve durante vários meses, em troca de modesto salário, o que lhe despertou o imenso desejo de vencer na vida. Essa época sombria, simbolizada pela graxa dos potes com que trabalhava,. Dickens retratou-a amargamente em "David Copperfield".


Sua servidão termina, e ele volta à escola, quando - seu pai recebe uma inesperada herança, com a qual salvava suas dívidas e reconquista a liberdade.


Por volta de 1836, Charles está trabalhando corno repórter de vários jornais e redator de pequenos sketches (peças curtas) em alguns periódicos, com o pseudônimo de Boz (apelido de seu irmão caçula).


Em 1837 torna-se célebre, da noite para o dia, com "The Posthumous Papers of the Pickwick Club" ("Memórias do Sr. Pickwick"), obra publicada num jornal durante 20 meses, em forma de folhetim (capítulos em série). Esta obra, na qual Dickens retrata alguns de seus amigos e atinge a plenitude de sua arte de caricaturista e humorista, popularizou-se rapidamente. Conta-se que um juiz muito conhecido lia "Pickwick" em pleno tribunal, enquanto aguardava o veredicto do júri.


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O escritor e seus personagens


Além de "Pickwick", Dickens escreveu mais 14 obras, quase todas publicadas também em folhetins; os leitores acompanhavam o desenvolvimento da trama e apresentavam sugestões, através de cartas ao autor.


Mestre do movimento, do suspense, do humor satírico, do honor, Dickens dominava perfeitamente a arte de contar; ora comove o leitor até às lágrimas, ora o faz rir às gargalhadas. Sua maior qualidade é a criação de tipos. Graças a admirável poder de observação, descobre nos indivíduos mais comuns traços característicos, que, aproveitados ao máximo, chegam a desvirtuar seu sentido aparente. Uriah Heep (de "David Copperfield"), por exemplo, manifesta urna exala gerada humildade, que não passa, na verdade, de servilismo e falsidade.


Mesmo os nomes de alguns personagens, tirados do vocabulário inglês corrente, auxi-liam a caracterização: Wackford Squeers, por exemplo - um mestre-escola exigente, um "bicho-papão" que sente prazer em bater nos alunos -, é formado do verbo to wack, que em inglês significa chicotear. Quando se trata, porém, de caracterização moral, Diekens não é tão feliz: assim, Nicolas e Kate (de "Nicolas Nickleby") são demasiadamente perfeitos para serem reais.


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Obras muito diversas


Depois de "Pickwick% Dickens escreveu "Oliver Twist" (1838); estas duas obras apresentam marcante contraste : a caricatura cede lugar ao sombrio melodrama. Em "Oliver Twist", o mais vivido e sinistro de seus romances, o destino individual da criança infeliz preocupa mais o autor e o leitor do que a condição social que a persegue; por conseguinte, o sentimentalismo sufoca o sentimento de revolta. Embora muitos considerem este romance um "ensaio social", que descreve os horrores do trabalho nas usinas, o autor não chega, aqui, a ultrapassar o "romancista das desgraças pessoais, se bem que infligidas pelas instituições injustas".


No romance seguinte, "Nicolas Nickleby" (1839), Dickens procura associar o cômico e o trágico. A obra é uma condenação dos internatos a preços módicos, dirigidos tirâni-umente por professores perversos e ignorantes. "Nicolas Nickleby" diverge profunda-mente de "David Copperfield", biografia romântica, que retrata a vida tal corno Dickens a viu, ou seja, algo fantasticamente. Em todo caso, é a sua própria vida. Seus personagens talvez sejam deformados, mas existem pessoas reais que se lhes assemelham.


Em muitos de seus romances, Dickens critica as condições econômicas e sociais da época: o contraste entre o ambiente dos em-pregadores e o de seus subordinados, as condições deploráveis do trabalho das crianças, a vida miserável dos pobres, a crueldade da prisão por dividas.


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Outras facetas de um talento


Dickens também foi famoso e solicitado como orador. Ainda o teatro atraiu-lhe a atenção; com sua própria companhia, Dickens percorreu o país, escrevendo peças e representando. Este fato talvez explique as características "teatrais" de alguns de seus personagens.


Dickens criou também dois semanários de enorme sucesso: Household Words e Ali the Year Round, e fundou um jornal nacional: o Daily News. Mas desistiu da empresa ao cabo de três semanas. Em seus últimos anos, costumava ler suas obras em público, provocando fortes emoções: muitas vezes mulheres desmaiavam ao ouvirem, por exemplo, a descrição do assassínio de Nancy por Bill Sikes, de "Oliver Twist".


Urna vida muito triste


Se como profissional Dickens conheceu muito sucesso, como homem conheceu mui-tas amarguras: um amor infeliz aos 19 anos, a morte de sua cunhada, Mary Hogarth, um casamento mal sucedido, o malogro de alguns de seus 10 filhos, e a morte prematura de outros, foram os fatos mais tristes de sua vida.


Embora pareça escritor exclusivo para crianças, moças e senhoras, Dickens é dotado de uma força demoníaca, criador que foi de uma galeria de tipos. Tal como Balzac retrata Paris, Dickens retrata a Londres de sua época. Uma cidade cheia de fumaça, sacudida pela agitação revolucionária dos chartistas (assim era chamado um grupo que reivindicava. em favor dos trabalhadores), mas fundamentalmente puritana e otimista: a Londres vitoriana. Os contemporâneos devoravam os livros de Dickens; reconheciam neles todos os horrores, encontravam neles todas as esperanças de seu tempo. A consagração, Dickens conheceu-a ainda em vida, quando a Rainha Vitória em pessoa o recebeu como o rei das letras inglesas.

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