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A descoberta da microfotografia

Já ouviu falar a microfilmagem? Ou microfilmes? Pois é, eles foram uma grande revolução na industria da fotografia e cinema.


Fonte da imagem: onthisdateinphotography


Suponha que um pesquisador necessite consultar todos os jornais publicados durante um seculo, para estudar os principais tons debatidos neste período em uma cidade, regido ou pais. Ocorre que estes jornais estão arquivados em uma cidade distante da sua. Copia-los e transportá-los seria uma tarefa praticamente impossível: o volume e muito grande.


Restaria a esse estudioso um recurso eficiente: a micro-filmagem do material, isto é, sua reprodução fotográfica feita em escala tao reduzida que o conteúdo de pilhas e pilhas de jornais poderia ser armazenado em minimas películas, O emprego de técnicas usadas na foto-grafia para reduzir drasticamente o volume de imensos arquivos e fichários foi sugeri-do, ao que parece pela primeira vez, pelo inglês Simpson. Baseava-se na constatação do simples fato de que um objeto pode ser incomparavelmente maior do que sua reprodução fotográfica.


Esta ideia viria a resolver numerosos problemas na época, especialmente aqueles relacionados a economia de espaço, que seria enorme nas repartições publicas, empresas, bancos, correios, escolas ou bibliotecas, etc. Graças ao desenvolvimento de filmes com alto poder de definição, as 24 000 paginas de uma obra gigantesca corno a Enciclopédia Britânica, por exemplo, poderão ser reduzidas a um dispositivo de apenas 24 por 36 mm. E os futuros astronautas darão, talvez, levar em suas cabinas de pequenas proporções uma biblioteca inteira, reduzida a algumas dezenas de bobinas de microfilmes. Uma experiencia precursora da técnica de microfilmagem foi realizada em 1839 por John Benjamin Dancer: usando daguereótipos obteve uma considerável redução de tamanho em relação ao objeto originai: de 160 para 1 (160:1). Reproduziu, assim, um poema de 28 estrofes em um espaço menor que 1 mm².


Já no século XX, o microfilme foi introduzido em várias empresas para a redução do volume de seus arquivos. Seu emprego, porém, ainda estava bastante limitado pelas dificuldades de leitura. O real impulso para sua ampla difusão ocorreu somente quando a microfilmagem deixou de ser um mero apêndice da fotografia para constituir seu próprio campo no mundo da técnica. Transformou-se, a partir desse momento, num instrumento econômico, racional e dinâmico.


A microfilmagem não consiste simples-mente na reprodução fotográfica em escala muito reduzida: ela se define por um conjunto de operações básicas, que vão desde a filmagem e codificação dos documentos, processamento e armazenamento dos filmes, até a total recuperação e leitura da informação que é preciso obter.


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O filme e a microfilmadora


O microfilme apresenta-se, geralmente, sob forma de bobinas. Os mais usados são os filmes de 16, 35, 70 e 75 mm de largura, com o comprimento de 30 m. Nesse espaço podem ser reproduzidas cem mil cartas; em outras palavras, um registro em microfilme ocupa 2% do espaço que ocuparia no papel. Da mesma forma, cerca de 4,5 kg de material impresso podem ser reduzidos a 28 g de microfilme, diminuindo as despesas de transporte.


A emulsão empregada nos filmes, para assegurar o registro fiel dos menores detalhes, é de grão extremamente fino. E as reproduções em microfilme — além de fornecerem cópias e duplicatas absolutamente iguais ao original — são obtidas rápida e facilmente: mil cópias por minuto.


Não há praticamente limites em relação ao tamanho do documento. Uma microfilmadora pode registrar tanto uma pequena ficha de biblioteca como uma grande magoteca. Em cada caso, porém, emprega-se um determinado tipo de microfilmadora.


Dessa forma, o modelo maior de microfilmadora planetária costuma reproduzir plantas de engenharia, enquanto que o mode-lo de mesa, documentos legais, cartas ou fichas de biblioteca. A microfilmadora rotativa é automática e reproduz, em 1 minuto, a frente e o verso de até 200 documentos tamanho oficio ou 640 cheques. A microfilmadora de saída de computador converte as informações contidas numa fita perfurada em linguagem Fortrok — uma das mais usadas em computação, principalmente para problemas científicos — para a linguagem normal, e microfilma os dados a urna velocidade de até 120 000 caracteres por segundo. Já há também modelos para filmar as inicrofichas, filmes contendo várias imagens.


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Processamento, codificação e leitura


Após o registro das imagens há urna série de operações que preparam o microfilme para ser posteriormente utilizado. Estas operações, que constituem o processamento do microfilme, foram bastante simplificadas com a instalação de uma unidade processadora ao lado da microfilmadora. Ou seja, o microfilme pode ser processado no próprio local da filmagem. Feito isso, ele deve ser armazenado.


Para cada tipo de necessidade e utilização existe uma microforma, unidade de armazenagem correspondente: rolo, contendo milhares de imagens; microfichas (cerca de 500 imagens); vários tipos de cartucho e cassette; cartões de janela, para uma ou mais imagens e com grande espaço em branco para identificação.


As operações de armazenagem são acompanhadas de processos de codificação para posterior localização, identificação e leitura. No caso de microfilmes guardados em ¡bolos, cartuchos ou cassettes, os códigos são Vindicados no próprio filme. Assim, os cartões de flash, contendo números e letras de identificação, são fotografados junto com os documentos. As Unhas de código (horizontais) são colocadas em ambos os lados de cada imagem. E, durante o processo de microfilmagem, a numeração é impressa nos documentos, indicando sua ordem. O controle de imagem, um pequeno retângulo co-locado junto à imagem, permite identificação eletrônica. Há, por fim, os sinais de código binário, sistema que permite parar o filme na imagem desejada.


A busca de uma imagem é realizada eletronicamente, bastando, para isso, indicar nos botões de comando o código correspondente. Assim, milhares de imagens são "re-vistadas" em questão de segundos, até ser encontrado o documento desejado, o qual é, então, projetado na tela. Conforme a finalidade de seu emprego e a microforma utilizada, os leitores podem ser : portáteis, de mesa, modelos especiais especiais para microfichas, etc. Para um documento de formato comercial registrado em um filme de 16 mm, por exemplo, é utilizada uma tela quadrada de 30 cm de lado. Além disso, há modelos acoplados e um impressor, possibilitando a reprodução, em grande quantidade e em tamanho ampliado, de documentos microfilmados.


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A utilização do microfilme


As técnicas de microfilmagem foram introduzidas nos estabelecimentos bancários na segunda década do século XX para documentar o movimento dos cheques. Atual-mente todo o movimento de vendas e com-pras de grandes lojas de varejo é arquivado em microfilmes, minimizando os custos da contabilidade em até 50% e com uma economia de tempo de aproximadamente 85%


A microfilmagem tem penetrado rapidamente em todos os campos da vida contemporânea onde haja uma organização burocrática.


A difusão cada vez maior do microfilme vem determinando o aprimoramento de seus sistemas. Existem microfilmes em bobinas de até 350 m de comprimento, com 72 000 caracteres codificados em numeração binária. O sistema mais avançado, desenvolvido pela IBM Walnut é usado pelos grandes órgãos governamentais dos Estados Unidos. Trata-se de uma verdadeira "micro-filmoteca". No entanto, a localização e a leitura de um documento são feitas em apenas 5 segundos.


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